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Pacientes com câncer reclamaram ao Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma) falta de medicamentos e condições básicas de atendimento na Unidade de Alta Complexidade (Unacon), instalada dentro do Hospital das Clínicas Alberto Lima. Segundo os pacientes, as mudanças prometidas pelo atual governo ainda não ocorreram. Uma carta com reivindicações foi encaminhada ao secretário de Saúde do Estado, Pedro Leite.

Cerca de 30 pacientes oncológicos relataram em reunião na igreja Jesus de Nazaré na tarde de terça-feira, 14, falta de medicamentos, atendimento sem qualidade, elevador quebrado, falta de higiene nos banheiros, falta de leito, enfermarias mistas e falta de água dentro da Unacon, onde é ofertada quimioterapia para o tratamento de câncer. “Não podemos fechar os olhos para essa realidade. O Estado devia tomar providências. Em cem dias de governo não vemos mudança nenhuma. Os pacientes continuam tendo que se deslocar para fora do estado, já que não temos condições mínimas de atendimento aqui”, ressaltou o presidente do Ijoma, padre Paulo Roberto.

A Unacon tem problemas com falta de medicamentos

A Unacon tem problemas com falta de medicamentos

“Estou esperando quimioterapia por causa do Azilotes, um medicamento que uso para o tratamento, mas que não tem no Amapá. A informação que me passam é que está chegando. Estou nisso há dois meses. Já ouvi casos de pessoas que faleceram sem ajuda”, afirmou Antônio Pereira Barroso, de 52 anos.

O Ijoma tem informações extraoficiais de que medicamentos como Xeloda, que custa em média R$ 3 mil a caixa, e Bevacizumabe também estão em falta no centro de tratamento. Esses medicamentos são essenciais para o início do tratamento de pessoas com câncer de mama, intestino e pulmão.

Todos esses pontos foram relatados em uma carta do Ijoma destinada ao secretário de Saúde do Estado, Pedro Leite, para que sejam tomadas providências. Veja abaixo a íntegra da carta.

 

Carta Aberta ao Secretário de Saúde do Estado do Amapá

Macapá, 14 de abril de 2015

Excelentíssimo Senhor Drº Pedro Leite

Somos cidadãos com câncer, famílias e voluntários do Ijoma e estivemos reunidos hoje, às 19 horas na quadra da Igreja Jesus de Nazaré para fazermos uma avaliação dos serviços prestados pela Unacon ao longos dos quatro primeiros meses de 2015.

Por coincidência os jornais que hoje circularam noticiaram que Vossa excelência acionou a Procuradoria Geral do Estado, onde solicita providências judiciais com relação às empresas que venceram o processo de compra emergencial de medicamentos para abastecer a farmácia da Unacon, mas não entregaram os remédios dentro do prazo contratual. Se vivemos uma vigência especial na SESA por que o atraso? Nos preocupa saber que se num processo emergencial há atrasos de quimioterápicos, como será depois que o estado de emergência deixar de vigorar.

Bem sabemos da grave crise que o Brasil e de forma especial o Amapá se encontra, porém precisamos que nossos gritos sejam ouvidos, pois “quem tem câncer tem pressa.” Nossas sessões de quimioterapias com frequência são interrompidas e isso nos causa medo e apreensão.

Pedimos a vossa excelência que dê atenção especial ao atendimento na Unacon. Muitas vezes somos tratados com falta de respeito e dignidade. O elevador encontra-se novamente quebrado. O pronto atendimento da Unacon precisa voltar a ter uma enfermaria só para homens e outra só para mulheres.

Hoje as vezes ficamos juntos e isso causa constrangimento a nós que já estamos fragilizados pela doença. Que o serviço social seja mais atuante e célere. A Lei 12.732, chamada de 60 dias precisa ser uma realidade urgente entre nós. É muito humilhante ter que pedir esmola para que o tratamento não seja interrompido.

Padre Paulo Roberto

Presidente do Ijoma

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