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O músico Finéias Nelluty, famoso por sua versatilidade rítmica que o permite circular com desenvoltura no universo do brega às mais sofisticadas composições jazzísticas, chegou à periferia da cidade com o ritmo criado por ele, a zankerada. Levando nos cases o hip hop, entre outras expressões da cultura popular, em um trabalho digno de democratização do acesso à cultura para comunidades que já sofrem com a ausência de equipamentos básicos à vida mais digna.

A primeira edição do projeto aconteceu em março deste ano na Vila Miséria, no Buritizal. E foi um sucesso, segundo o artista.

Um dos artistas mais conhecidos do Amapá, vai sua arte para o povão

Um dos artistas mais conhecidos do Amapá, vai sua arte para o povão

Finéias aposta no projeto como um meio de aproximar o trabalho dos músicos e artistas locais do povo mais humilde, que não tem condições de comprar ingresso ou meios de ir até o teatro. Na prática, o que o músico democratiza o acesso à cultura.

O projeto dura uma semana, na qual as crianças têm acesso até mesmo a um estúdio móvel para as audições de novos talentos, os quais Finéias diz que não são poucos.

“Eu já vi tanta coisa com a arte viajando aí pelo Brasil. Muita coisa bacana. Mas essa emoção de você estar fazendo isso e sentir que a população recebe de bom grado, as mães das crianças que vêm seus filhos envolvidos no projeto. Isso tudo move na gente uma emoção muito positiva”, declarou o músico, que na década de 1990 ganhou projeção nacional incorporando uma personagem cheia de deboche e muita energia, Jéssica Candomblé, a Bicha do Brega. Seu heterônimo mais famoso.

Para entender um pouco da energia que movimenta este artista da música pop amazônica, que este ano promete trazer a diva do jazz brasileiro à sétima edição do festival de musica instrumental do Amapá, Leni Andrade, é preciso voltar no tempo até à cidade de Óbidos, onde nasceu o professor Tiago, pai e responsável pelos primeiros acordes de Finéias.

A Bicha do Brega vai estar de volta até o fim do ano

A Bicha do Brega vai estar de volta até o fim do ano

Músico e artista de circo, o professor Tiago se criou na roça, filho de pai paraibano e mãe cearense. Quando tinha sete anos, a mãe e mais os seis irmãos dele faleceram vitimas de uma epidemia, possivelmente a Febre Amarela ou a Febre Espanhola. Ficaram ele e o pai.  Com 18 anos ficou órfão de pai, e então ganhou o mundo. Em Rondônia conheceu um pessoal de circo, e como já sabia tocar violão, entrou para a função. Então o professor Tiago virou palhaço, trapezista, um mix de arte, na opinião de Finéias. O músico acredita que vem daí o talento cênico para criar a Bicha do Brega, personagem que é puro teatro. E que antes de dezembro deve subir novamente ao palco para celebrar seus 14 anos de criação em um show em praça pública.

Mas antes, o artista pretende trazer Leni Andrade, Diva do Jazz brasileiro, para a sétima edição do Festival de Musica Instrumental, na terceira semana do mês de outubro. O evento já contou com grandes nomes, como Artur Maia, além da galera que faz em Macapá jazz de qualidade internacional.

É só esperar e aproveitar.

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