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Cerca de 20 adolescentes do Núcleo de Medida Cautelar, antigo Centro de Internação Provisória (CIP), receberam corte de cabelo, maquiagem e aulas de higiene pessoal nesta sexta-feira,2. A ação social foi promovida pela Fundação da Criança e do Adolescente (Fcria) e faz parte do processo de ressocialização dos jovens.

“Essa é a primeira vez que isso acontece no núcleo. Eu diria que o serviço que está sendo feito é algo que com certeza ajuda na ressocialização e desperta a autoestima do adolescente. Atividades como essa fazem o jovem entender que, apesar de ser infrator, ele também é um ser humano que merece uma segunda chance”, afirmou o educador Raimundo Trindade.

Educador Raimundo Trindade:

Educador Raimundo Trindade: são seres humanos e merecem uma segunda chance. Fotos: Cassia Lima

A ação não foi a primeira, mas foi especial. Quem fez o corte de cabelo dos internos foi o cabeleireiro Eufrásio Caetano Mendes, de 34 anos. Paraense, foi viciado em drogas e viveu nas ruas do Brasil, chegando a morar na Cracolândia, centro de São Paulo, conhecido pelo intenso tráfico e consumo de drogas.  Hoje ele fez trabalho social contando sua própria história.

“Eu estou longe das drogas há um ano. Posso caminhar nas ruas sem que as pessoas se afastem de mim e o melhor, recebendo carinho e amor da minha família. A mensagem que deixo é que eles podem mudar, basta querer”, destacou o cabeleireiro.

Eufrásio morou até na Cracolândia, em São Paulo. Hoje ajuda menores infratores

Eufrásio morou até na Cracolândia, em São Paulo. Hoje ajuda menores infratores

Para o socioeducando W.F.G., de 16 anos, a ação ajuda na interação com os outros jovens. “Soubemos que o cabeleireiro é um ex-drogado que também já cumpriu pena. Além dele nos dar dicas, o próprio exemplo dele mostra que podemos mudar”, comentou o interno que cumpre medida cautelar por roubo.  

O núcleo abriga 40 adolescentes que cumprem medida sócio-educativa com reclusão de até dois anos. São 37 meninos e três meninas, com idades que variam entre 14 e 18 anos. Os menores estão internados pela prática de delitos como, roubos, tráfico de drogas, furto e homicídio. Cerca de 80% dos jovens que estão hoje internados são reincidentes.

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