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SELES NAFES

Um dos sobreviventes do naufrágio do Barco Motor Cidade de Óbidos, que foi a pique no dia 26 de janeiro de 2002 no Rio Jari (Sul do Amapá), relembrou nesta terça-feira, por meio de uma carta no Facebook, os momentos de desespero dele, de passageiros e da tripulação logo após o acidente. Ele também conversou com o Site SELESNAFES.COM. Sete pessoas morreram na tragédia, entre elas duas crianças e a jornalista Simone Teran.

Rodrigo Juarez, 39 anos, é atual produtor do APTV, jornal exibido pela Rede Amazônica diariamente na hora do almoço, e tinha apenas 25 anos no dia do acidente. Ele acompanhava o pai, o empresário Rodolfo Juarez, o tio, Carlos Alberto, e o irmão, Rodson Juarez. Quando o barco afundou, eles se separaram, mas conseguiram sobreviver.  

Rodrigo e o pai, Rodolfo Juarez. Eles se separaram, mas sobreviveram: Foto: Arquivo pessoal

Rodrigo e o pai, Rodolfo Juarez. Eles se separaram, mas sobreviveram: Foto: Arquivo pessoal

O acidente ocorreu às cinco horas da manhã. A maioria dos passageiros dormia. Rodrigo jogava baralho com amigos quando ouviu um estrondo. Era o choque com a balsa Florezano Neto, que estava carregada de grades de cerveja e refrigerantes. A investigação da Marinha concluiu depois que a balsa estava mal sinalizada e na “contramão” do rio, próximo de Jarilândia.

O barco afundou em menos de 15 minutos. Na escuridão, muitos nadaram para longe da margem. Foto: Memorial

O barco afundou em menos de 15 minutos. Na escuridão, muitos nadaram para longe da margem. Foto: Memorial

“O barco não começou a afundar logo. Ele ficou preso por um cabo à balsa, por isso alguns passageiros conseguiram passar para a balsa. Mas muitos começaram a tentar fazer a mesma coisa e a balsa corria o risco de afundar”, lembra Juarez.

Quando alguém desconectou a balsa do barco, o Cidade de Óbidos começou a afundar pela proa, onde havia um rombo de aproximadamente 2 metros de diâmetro. A água começou a invadir os compartimentos pela frente e o desespero aumentou quando as luzes da embarcação se apagaram.

A jornalista Simone Teran foi uma das sete vítimas

A jornalista Simone Teran foi uma das sete vítimas. Foto: Arquivo pessoal

“A água atingiu logo o motor de luz e tudo ficou no escuro”, recorda o jornalista, acrescentando que o barco de 3 andares afundou em menos de 15 minutos.  

O barco levava políticos, assessores, familiares e cabos eleitorais para um evento em Laranjal do Jari. A maioria conseguiu pular logo na água, mas muitos foram traídos pela escuridão e nadaram para longe da margem.

Rodrigo nadou em direção à balsa. O pai, o irmão e o tio conseguiram nadar 60 metros e se agarrar em uma vegetação. Eles foram resgatados no dia seguinte por barcos ribeirinhos.   

“Pude ter a certeza que Deus estende sua mão, mesmo quando desistimos de tudo, para nos resgatar e dar o folego necessário para lutarmos pela vida. E eu fiz isso”, diz agradecido em sua carta.

Rodrigo: "Deus estende sua mão"

Rodrigo: “Deus estende sua mão”

“Eu ainda sofri com sequelas da quantidade de óleo que engoli e das horas que ficou em meu corpo, e ainda sofro por problemas no ouvido, porém, estou aqui para contar a história aos meus filhos, familiares e amigos”, revela.

Sete pessoas morreram na tragédia: Karina dos Santos Couri, de 18 anos; o primo de Karina, Luan Richard Guiomar dos Santos, de 12 anos; Ana Cláudia Colares e o filho dela, Alexandre Júnior Leite, de 3 anos; Arquimedes Afonso (segurança na Prefeitura de Santana), Vítor Santos, 60 anos (empresário); e a jornalista e ex-apresentadora da TV Amapá e SBT, Simone Teran.

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