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GESIEL OLIVEIRA

A destinação para o verdadeiro bem é inerente à natureza humana, e todo esforço para alcançar algum bem, implica em um primeiro bem absoluto não mais realizável, que representa, entretanto, o pressuposto supremo de todos os bens temporais segundo sua escala de valores.

Sem essa necessidade, não teríamos motivo para desejá-lo; a incompreensão da incontenção silenciosa, anelo da alma imortal. O insondável no amor reside em querer ser, em verdade, igual ao amado, em ver-se realizado em outro ser.

O amor, entretanto, descobre-se mais na distância e no mistério, e quanto mais de seu fogo nos aproximamos, mais dele estamos distante; é que a vida do amor oculta-se em seus fundamentos, desdobrando-se na eternidade. Permanecer no amor é, portanto, permanecer no outro; perfeição para o corpo e êxtase para a alma imortal.

E o desejo não é senão um sonho, um instante de prazer e um breve despertar alegre e feliz; infinitamente profundo, princípio determinado pela alma, desejo de tornar ao absoluto, onde o objeto do prazer situa-se no plano superior da Beleza.

Onde a verdadeira virtude consiste antes em amar que em ser amado. Desejo daquilo que necessitamos para suprir nossa carência interior, para o aperfeiçoamento e unicidade da alma.

Amar é; portanto: buscar no outro aquilo que habita no mais fundo de nós, pois o desejo é a carência de um bem que nos é devido, e somente desejamos aquilo que consideramos um bem. E é esse desejo de autoplenitude espiritual, o que fundamenta e vivifica o amor.

Entretanto, nossos simples conhecimentos não desvelam o amor em seus mistérios. Viver no amor é não tentar defini-lo. Ele habita no insondável e repousa em seu movimento eterno.

O amor então, deseja e exige que seus mistérios permaneçam ocultos no mais íntimo de nosso ser, mistério que o desejo mortal não ouse tentar desvendar; pois o secreto na vida do amor é a totalidade da harmonia na totalidade da existência.

Assim, viver em amor é penetrar o mistério e aí encontrar a felicidade. Liame que atrai e edifica, o amor trabalha sutilmente as forças da eternidade estando presente em essência e ato na ação movente da natureza humana e universal.

Celebrar o amor em toda sua extensão e medida é atrair sobre si o Bem Supremo e, é, diante do amor, que nos revelamos à plenitude do eterno, pois somente aquele que acredita no poder do amor, desvela para si um clarão da verdade, sua essência mais própria: a intangibilidade sentimental que preenche o vazio o interior.

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