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CÁSSIA LIMA

O presidente recém-empossado da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap), o deputado Jaci Amanajás (Pros), falou com o site SELESNAFES.COM sobre as supostas denúncias de desvio de dinheiro que contribuíram para a renúncia da antiga mesa diretora da Casa de Leis. Ele afirma que nos próximos meses a Assembleia será mais “transparente”.

Nos bastidores da Assembleia, os deputados e assessores não falam muito sobre o assunto. A pauta foi em torno da posse da nova mesa e das alterações de diretores na comunicação e nas finanças da Casa, como era esperado com a troca de presidentes.

Segundo uma servidora da Alap que prefere não ser identificada, de maio de 2015 a abril de 2016 foram gastos R$ 23 milhões com despesas não computadas, ou seja, com serviços não descriminados no setor de finanças e nem no Portal da Transparência que está desatualizado há três meses. Veja o documento que descrimina o valor na foto.

Despesas

Despesas no valor de R$ 23 milhões não foram computadas

Há boatos de que a falta de esclarecimento sobre o destino desse dinheiro foi um dos motivos que contribuíram para a renúncia coletiva da mesa diretora da Assembleia, no final de quinta-feira, 4.

Jaci Amanajás fala nessa entrevista sobre as metas para os próximos seis meses de gestão, já que a eleição dele terá validade até 31 de janeiro de 2017.

SN: Presidente, é fato que essa renúncia e eleição causou muita surpresa. Por que essa mudança repentina?

Jaci Amanajás: Esse foi um acordo político estabelecido em dezembro do ano passado com o afastamento do ex-presidente Moisés Souza. Todos os deputados já estavam cientes disso, tanto que os votos foram unânimes. Mas a mesa achou que esse era o momento e decidimos votar.

SN: Há muitos boatos nos bastidores da Assembleia sobre dívidas e até desvio de dinheiro. O senhor pretende abrir uma auditoria para apurar esses fatos?

Jaci votando durante sessão dessa sexta

Jaci votando durante sessão dessa sexta

Jaci Amanajás: Olha, a Assembleia deve bastante impostos, tem algumas dívidas de gestões anteriores, mas também já pagou o 13º dos funcionários. Como você disse, são muitos boatos. Hoje estou assumindo e vou tomar pé de toda a situação. Vamos nos enquadrar dentro da lei de responsabilidade fiscal e apurar o que estiver errado.

SN: Existe um documento de despesa com pessoal na Assembleia que não descrimina o uso de R$ 23 milhões, e isso teria influenciado a renúncia da mesa. O senhor sabe onde esse dinheiro foi gasto?

Jaci Amanajás: Eu estava como conselheiro do presidente Kaká até ontem, na antiga mesa diretora, mas algumas informações eu não tinha de pronto. Agora que vou saber. Vou tomar pé da situação toda e organizar o que estiver fora da linha. É um tempo curto, apenas seis meses de gestão, mas não vamos ficar sentados esperando tudo cair do céu.

SN: No Portal da Assembleia não constam muitas informações a respeito de pagamentos e despesas da Alap. O senhor irá atualizar essas informações?

Jaci Amanajás: O portal tem que ser aquele portal correto, aquele que deve sim ser abastecido com informações. Não vamos colocar números que não existem. Vamos trabalhar corretamente. Não tem porque não colocar no Portal. Acredito que nos próximos meses ele estará normal.

SN: Nesse momento qual a prioridade de sua gestão?

Jaci Amanajás: Queremos normalizar o pagamento dos servidores da casa e dos impostos também, assim como o pagamento dos consignados. Precisamos deixar mais transparente os gastos da Assembleia para recuperar a credibilidade do povo, que é o que nos interessa. O que nós queremos é melhorar a imagem da Casa, ter melhor relação com os poderes, principalmente o Executivo, o Judiciário e o Tribunal de Contas. Organizando nossa Casa de forma legal. Vamos continuar o trabalho do presidente Kaká. O que foi bom vamos ajustar e melhorar aquilo que desagradou.

S.N: Sua gestão tem prazo de validade até janeiro. Há possibilidade da continuação dessa mesa depois desse tempo?

Jaci Amanajás: A eleição dos próximos anos está pronta, tanto 2017 e 2018. Só foi invalidada essa mesa atual. Na mesa seguinte (ou seja, de 2018 para 2019) eu sou o primeiro vice-presidente, o deputado Kaká é o presidente.

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