Compartilhamentos

CÁSSIA LIMA

As cenas tradicionais de superlotação e o sofrimento de pacientes, incluindo crianças, parecem um fio de novelo que nunca acaba no Hospital de Emergência de Macapá (HE), o principal pronto socorro da capital. Fotos tiradas na manhã desta quarta-feira, 9, revelam que a situação está muito longe de ser controlada. 

Além da falta de remédios, material e macas, os pacientes e acompanhantes dizem que não são bem tratados pelos funcionários do hospital, e existem até denúncias de médicos que estariam cobrando para fazer cirurgias ortopédicas dentro do hospital. 

Corredor de acesso ao centro cirúrgico lotado. Fotos: Daniele Rodrigues

Corredor de acesso ao centro cirúrgico lotado. Fotos: Danielle Gonçalves

“Dias atrás apareceu um médico aqui que nos cobrou pela cirurgia. Ele tava falando que ia passar a gente na fila se pagássemos. Eu fiquei chocado e fui lá pra baixo. O valor eu não sei, mas essa máfia é antiga aqui dentro, dizem”, denunciou o paciente Cidinaldo Arouxo, que aguarda na fila de cirurgias. 

Fotos tiradas por parentes de pacientes mostram o setor de ortopedia lotado. O corredor que dá acesso ao segundo andar do hospital está cheio de pacientes, alguns acomodados em papelões. Há crianças no chão e outras que dividem o mesmo leito com adultos. 

Crianças aguardam no chão o momento de entrarem no centro

Crianças aguardam no chão o momento de entrarem no centro

Rapaz com dor espera o momento de ser atendido

Rapaz com dor espera o momento de ser atendido

A maioria das enfermarias não tem climatização, e o calor é desgastante. Os pacientes também reclamam da dificuldade de falar com médicos.

“Os médicos são muito mal educados. O dever deles é tratar bem os pacientes e acompanhantes, mas isso não está acontecendo. Não tem remédio. Eu estou há dois meses aqui e não veio um médico me ver, só enfermeiro e técnico. Gaze e soro é a gente que compra. O pessoal vem só dar antibiótico e fazer curativo”, relatou a paciente Luciene Araújo.

Jorge Silva está a 85 dias esperando cirurgia ortopédica para o fêmur quebrado, e nem tem agendamento ainda. Ele conta que já perdeu a paciência, e se nada for feito até dia 15 desse mês, ele vai emprestar dinheiro num banco para fazer a cirurgia em hospital particular que cobra R$ 10 mil. 

Enfermarias sem climatização: calor insuportável

Enfermarias sem climatização: calor insuportável

Médico teria cobrado por cirurgia

Médico teria cobrado por cirurgia

“A gente nem acredita mais e perdeu as esperanças. A secretária de saúde (Renilda Costa) disse que ia chegar material aqui, mas há 10 dias não há nada. Médico passa e nem olha pra gente, a gente que tem que correr atrás deles aqui dentro. É desumano. Somos tratados como lixo”, desabafou.

Até às 9h desta quarta-feira, 9, o diretor do hospital ainda não havia chegado para trabalhar. A assessoria de imprensa do HE ficou de se posicionar ainda hoje sobre o assunto.

Compartilhamentos