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SELES NAFES

O naufrágio ocorrido em pleno Oceano Atlântico e que deixou ao menos uma pessoa desaparecida, no último fim de semana, deixou em evidência a forte atuação de “coiotes” fazendo a travessia de migrantes clandestinos a partir do Rio Oiapoque. A Polícia Civil afirma que a atividade está diretamente ligada a outro crime, o tráfico de drogas.

O acidente ocorreu no domingo, 29, a dois quilômetros da costa da Guiana Francesa, entre as cidades de Reginá e Caiena, capital da Guiana. Sete pessoas que estavam na voadeira conseguiram sobreviver graças aos coletes.

“Testemunhas informaram que a vítima, um homem de aparentemente 40 anos, estava no barco sentado sobre o colete”, comentou o delegado Charles Corrêa, de Oiapoque. Um helicóptero da polícia francesa faz as buscas no oceano pelo desaparecido, já que o naufrágio ocorreu em águas da Guiana.

Delegado Charle Corrêa e equipe à espera do coiote. Fotos: Polícia Civil

Delegado Charles Corrêa e equipe à espera do coiote. Fotos: Polícia Civil

Imigrantes detidos um dia antes da tragédia

Imigrantes detidos um dia antes da tragédia

Um dia antes, o delegado Charles Corrêa pode ter evitado outra tragédia. Ele montou uma operação para prender um dos coiotes mais atuantes da região. Depois de cinco horas de campana no meio do mato, a equipe conseguiu apreender uma embarcação onde havia brasileiros e haitianos.

O coiote, contudo, não apareceu. Ele teria voltado para Oiapoque com problemas no motor de sua embarcação, segundo informaram os passageiros que tiveram que voltar para a cidade brasileira, e não precisaram enfrentar o mar revolto. Os estrangeiros conseguiram fugir pela floresta assim que a voadeira atracou na margem.

Perigos

Há décadas é bem comum a travessia para a Guiana. Os brasileiros são geralmente do Pará, Maranhão e Goiás, mas os coiotes também são contratados por estrangeiros, especialmente haitianos, cujo idioma é o francês.

Embarcação apreendida é rebocada para Oiapoque

Embarcação apreendida é rebocada para Oiapoque

A viagem é cheia de perigos, numa parte do oceano que é tomada de tubarões. A “passagem” custa R$ 300 para Caiena, e R$ 500 para o Suriname. Caiena é o destino mais procurado, onde há muitas oportunidades para clandestinos na construção civil.

Há duas semanas, um dos coiotes mais atuantes em Oiapoque foi indiciado por perigo à navegação fluvial. Ele transportava duas haitianas grávidas de 7 meses e uma criança.

A Polícia Civil já comunicou a Polícia Federal sobre a existência de tráfico de drogas nas travessias entre a Guiana e Oiapoque.

“Os coiotes levam passageiros, e na volta trazem drogas”, explica o delegado.

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