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DA REDAÇÃO

O ex-prefeito de Vitória do Jari, no Sul do Amapá, Adelson Ferreira, foi inocentado da acusação de encomendar a morte de seu secretário de Finanças, Rui Chaves Viegas Costa. O crime ocorreu em 2006.

O júri considerou que não havia provas que ligassem ele aos assassinos. Um deles era conhecido como “Boca Rica” (já morto). O outro acusado, Antônio Apocalipse, no entanto, foi condenado a 15 anos de prisão no mesmo julgamento.

O ex-prefeito havia sido indiciado no inquérito policial e denunciado pelo Ministério Público pelo homicídio. Ele chegou a ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral, em 2008, por conta do processo. Contudo, a defesa argumentou que a única prova apresentada pelo MP era frágil.

“O Antônio Apocalipse disse com todas as letras que não fez nenhum contato com o Adelson. (…) O MP se baseou num simples telefonema para dizer que houve uma relação dele com os criminosos, mas não levou a degravação e nem a inscrição do telefonema na empresa de telefonia. Até o promotor entendeu que as provas eram falhas”, relata o advogado de defesa, Paulo José Ramos.

Defesa foi conduzida pelo advogado Paulo José. Foto: Divulgação

De acordo com os autos do processo, Antônio Apocalipse, que era catraieiro, foi chamado para participar do crime e teria recebido R$ 2 mil. A esposa dele, que estava no julgamento, confirmou que recebeu o dinheiro, e que o marido disse que era apenas para ela guardar, sem dar melhores explicações.

Sobre o telefonema que Antônio Apocalipse deu ao ex-prefeito, a defesa disse que “ele ligou para o prefeito para dizer que tinha o histórico das viagens (de transporte ribeirinho escolar) e que não estava envolvido no crime. Mas o prefeito disse para ele procurar a polícia. Se houvesse a degravação, isso estaria provado”, acrescentou Paulo José.

Secretário de Finanças Rui Chaves Viegas Costa foi morto no dia 17 de maio de 2006 com duas facadas no peito desferidas por Boca Rica, com a participação de Antônio Apocalipse. Com a absolvição do ex-prefeito, o motivo do crime permanece sem explicação.

O júri foi realizado em Vitória do Jari na quarta-feira (1º). A defesa de Apocalipse informou que vai recorrer da sentença, o que na prática significa a contestação do próprio julgamento onde o ex-prefeito foi inocentado, mas Paulo José acredita que há poucas chances de um resultado contrário.

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