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OLHO DE BOTO

Empresário de shows, policial civil, detetive particular e pessoa influente no Judiciário e no Governo do Estado. Segundo a Polícia Civil do Amapá, essas são algumas faces de Emanuel Barros Videira, o “Delegado”, de 43 anos, indiciado pela delegacia de Roubos e Furtos (DECCP), na última quinta-feira (6), por estelionato.

Nesta sexta, o verdadeiro delegado que investiga o caso, Glemerson Arandes, explicou ao portal SELESNAFES.COM que Videira já é investigado em outros casos, e chegou a ficar preso durante cinco anos no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Atualmente, cumpre pena em regime aberto/domiciliar (com recolhimento noturno) há mais de 1 ano por posse ilegal de arma de fogo, falsificação de documentos e estelionato.

No entanto, ele foi preso na UPC do Araxá no dia 29 de junho deste ano quando se passava por policial civil. Ele chegou ser conduzido para a delegacia, e assinou um termo circunstanciado onde se comprometeu a comparecer em todas as audiências para prestar esclarecimentos. 

Este ano, de acordo com a polícia, se identificando como empresário que organizava o show do padre Fábio de Melo, ele chegou a promover um treinamento para jovens mulheres que iriam trabalhar no espetáculo. 

Emanuel Videira: roupas de grife e joias. Foto: Arquivo/Policial

O treinamento foi dado para 20 candidatas. Algumas, inclusive, foram indagadas sobre se os namorados eram ciumentos e se estavam disponíveis para viajar com ele para Minas Gerais.

“Não chegarmos a constatar que ele teve algum ganho financeiro com o treinamento, o que nós suspeitamos é que algumas dessas moças tenham sido vítimas de posse sexual mediante fraude (crime), mas isso é difícil de provar porque geralmente a vítima fica com vergonha de denunciar”, comentou o delegado Glemerson Arandes.

No entanto, neste mesmo treinamento, Delegado teria cobrado R$ 800 da mãe de uma das moças após garantir que era capaz de conseguir um contrato administrativo no governo do Estado. No inquérito consta que ele chegou a receber parte do pagamento, e quando não conseguiu cumprir o prometeu e ainda devolveu parte do valor à vítima denunciou o caso. Na quinta-feira, Emanuel Videira saiu da delegacia indiciado mais uma vez.

Delegado Glemerson Arandes olha para um dos inquéritos de “Delegado. Foto: Olho de Boto

Segundo Arandes, Delegado costuma cometer o chamado “venda de fumaça”, quando alguém diz possuir grande influência sobre autoridades e servidores públicos para conseguir facilidades.

“Isso ele praticou dentro do fórum, onde ele estava para uma audiência, e viu uma moça lá que tentava receber um valor retido na conta do pai dela que faleceu. Ele se apresentou como policial civil e disse que podia conseguir a liberação mais rápida, pedindo apenas a metade do valor. Ela e o marido pagaram”, contou Arandes.

A polícia acredita que Delegado seja autor de muitos golpes que dificilmente serão denunciados pelo fato de as vítimas estarem envergonhadas.

Por enquanto, como ainda não perdeu o benefício do regime, ele continuará respondendo aos inquéritos e processos em liberdade.  

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