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O Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes) registrou no ano passado 3.732 denúncias de atividades de gangues em Macapá. O número é grande, mas em comparação com 2012 significa uma diminuição de 14%. A maioria das chamadas envolve adolescentes que praticam furtos, assaltos, brigas e mortes. Mas, o número real pode ser bem maior, já que muitas gangues acabam não sendo identificadas como autoras dos crimes.

Sargento Jean Dias

Sargento Jean Dias

Os dados do Ciodes levam em consideração a quantidade de chamadas telefônicas encaminhadas às delegacias. Pode ter ocorrido redução dos chamados, mas não da rixa entre grupos rivais. “E muito difícil mensurar todas as brigas de gangues. Mas sabemos que os bairros Central, Congós e Cidade Nova lideram a lista de denúncias feitas por populares”, explica o sargento da Polícia Militar Jean Dias.

Inailza Silva,  presidente da Fcria.

Inailza Silva, presidente da Fcria.

A maioria dos casos recebidos pela Fundação da Criança e do Adolescente (Fcria) também é de menores que se envolvem em gangues. “Esses adolescentes ficam ociosos, não tem perspectiva de vida e vão procurar más companhias”, pontuou a presidente da Fcria, Inailza Silva.

Em 2013, a fundação identificou 43 adolescentes que participavam de gangues que praticavam furtos e assaltos. Outra preocupação da Fcria é o aumento de rixas de gangues no município de Laranjal do Jari. “É uma grande preocupação o município de Laranjal. O número de brigas e roubos praticados por gangues cresceu muito. Nesses municípios o índice é pior pela falta de espaços e políticas públicas que garantam o desenvolvimento ideal desses jovens”, afirmou a presidente.

Além de haver poucas iniciativas que impeçam a entrada de adolescentes para as gangues, também há poucos programas de inclusão social voltados para educação, cultura, esporte, e qualificação profissional para receber os infratores depois que eles são libertados.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trata a privação de liberdade para adolescentes infratores como “medidas socioeducativas”, mas que na prática são penas de prisão, onde os adolescentes saem pior do que entraram.

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