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Dona de uma personalidade forte (e polêmica) e protagonista dos bastidores políticos do Amapá, em períodos dos anos de 1980 e 1990, Maria Cerqueira Barcellos, a Dona Mariinha, morreu na manhã desta quinta-feira, 21, aos 93 anos, vítima de insuficiência respiratória.

Dona Mariinha estava internada há alguns dias desde que sofreu um acidente doméstico no apartamento onde morava, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Durante os dois mandatos do então governador Anníbal Barcellos (morto em 2012), ela ajudou a costurar os rumos da política no Estado.

Então governador Anníbal Barcellos, recebendo ministro. Acervo: Nilson Montoril

Então governador Anníbal Barcellos, recebendo ministro. Acervo: Nilson Montoril

Mariinha casou com Anníbal Barcellos aos 23 anos, quando ele ainda era tenente da Marinha, no fim da Segunda Guerra Mundial. Barcellos era um dos 20 oficiais brasileiros selecionados pelos americanos para ajudar a conduzir suas embarcações com segurança pelo Oceano Atlântico. “Ele era muito respeitado por seus conhecimentos em navegação e segurança. Uma vez levou sozinho um navio para Nova Iorque quando outros oficiais rejeitaram a missão afirmando que o oceano estava muito agitado”, lembra jornalista José Machado, que conviveu com a família e foi chefe do Cerimonial do Palácio do Governo no último mandato de Barcellos (1990 a 1994). Em 1996, Machado trabalharia de novo com Barcellos ocupando o cargo de chefe de gabinete da Prefeitura de Macapá.

Dona Mariinha veio morar no Amapá aos 61 anos e exerceu uma forte influência sobre o marido, o governo e seus aliados políticos. “Seguiu a tradição das primeiras-damas: forte sobre o marido e o governo. Às vezes era discreta, mas teve uma fase em que ela se expôs, especialmente quando criou a Fundação Mariinha Barcellos”, recorda o jornalista Gilberto Ubaiara, na época repórter político do principal jornal da época, o Jornal do Dia.

Barcellos teve governo fortemente influenciado por Mariinha

Barcellos teve governo fortemente influenciado por Mariinha

 

Ao mesmo tempo em que tinha a fama de ser uma mulher doce com os amigos e com alguns funcionários, Mariinha costumava também impor suas vontades e dificilmente era desobedecida. “Uma vez ela queria que eu repetisse o Fantástico numa quarta-feira. Como eu não atendi me indispus logo na primeira semana de direção da emissora”, lembra hoje com bom humor, o ex-diretor da Tv Amapá, o jornalista e publicitário Walter Júnior.

Muitos acreditavam que ela tentaria a carreira política, e teria sucesso se quisesse, mas preferiu abrir mão para dar espaço ao filho, Sérgio Barcellos, que foi deputado federal por dois mandatos pelo extinto PFL, o atual Democratas.

Antes do fim do segundo mandato de Barcellos como governador, Mariinha já havia se separado do “comandante”. Quando ele foi eleito prefeito de Macapá, em 1995, ela não voltou para morar com ele. Barcellos viveu no Amapá até seu último dia.

Mariinha escolheu viver sozinha os últimos anos num confortável apartamento no bairro mais badalado e charmoso do Rio de Janeiro. Já bastante debilitada, não lembrava mais a poderosa Mariinha Barcellos. A única companhia era a de uma fiel governanta.

 

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