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A Capitania dos Portos do Amapá abriu nesta quinta-feira, 6, inquérito para averiguar as causas que levaram o rebocador Mato Grosso, usado no transporte de minério da empresa Zamim, a naufragar em uma área entre Fazendinha e o Igarapé da Fortaleza, conhecido como Trapiche da Praticagem. O acidente serviu para revelar a forma improvisada como o escoamento de minério de ferro está sendo realizado.

O acidente ocorreu no momento em que a embarcação empurrada balsas carregadas de minério de ferro que seria transferido para dentro de um navio cargueiro por meio de guinchos. O rebocador virou totalmente de cabeça para baixo às 23h da última terça-feira, 4, porém a empresa só avisou a Marinha quase 12 horas depois, às 10h da quarta-feira, 5. Esse será um dos motivos que será investigado no inquérito. “O fato de avisar a Capitania dos Portos quase 12 horas após o ocorrido será levado em conta, pois nesses casos a Marinha cobra o aviso imediato, até para evitar qualquer contaminação da água proveniente de vazamentos de combustível”, explicou o comandante dos Portos do Amapá, Lúcio Marques.

Numa primeira averiguação a Marinha constatou que não houve vazamento que possa comprometer a biodiversidade do local. “Após essa constatação nós colocamos uma barreira de contenção para continuar a evitar qualquer tipo de vazamento, e para prevenir que embarcações pequenas venham a colidir com o lado imerso do navio”, explicou Marques.

Área onde está submerso o rebocador Mato Grosso. Há o perigo de vazamento e acidentes com outras embarcações

Área onde está submerso o rebocador Mato Grosso. Há o perigo de vazamento e acidentes com outras embarcações

O resultado da perícia deve sair em 90 dias, e apontará se houve qualquer tipo de negligencia. Os peritos não divulgaram nenhuma hipótese sobre o acidente. Em nota divulgada pela Marinha, foi informado que o navio encontra-se em uma área que não traz perigo à navegação.

Operação improvisada

O acidente revelou um detalhe curioso, o uso de balsas para embarcar minério diretamente nos navios. O porto da Companhia Docas de Santana, por onde vinha sendo feito o transbordo, está no limite da capacidade desde abril do ano passado, quando o desabamento do porto da Anglo American matou 6 operários e interrompeu por semanas a exportação.

A Anglo American foi comprada pela Zamin, dona do minério que hoje está sendo levado em balsas até os navios. A Zamin ainda não informou quando termina a montagem do novo porto flutuante da mineradora no mesmo lugar do acidente que vitimou os operários.

 

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