Compartilhamentos

O caso da técnica em enfermagem Lilian da Silva Abreu, desaparecida desde 2008, parece ter chegado ao fim pelo menos para a Justiça. O principal suspeito do crime, o mototaxista Kleber da Silva de Almeida, foi condenado na noite desta segunda-feira, 5, a 23 anos e 6 meses de anos de prisão pela morte da ex-companheira. Apesar dele não ter confessado o crime e o corpo nunca ter sido localizado, a acusação usou um conjunto de acontecimentos para provar sua culpa.

A vítima desapareceu no dia 26 de setembro de 2008. Desde o início todas as investigações apontavam para o acusado que foi o último a estar na companhia da vítima quando ela sacava aproximadamente R$ 6 mil de sua conta bancária. O dinheiro era de uma indenização. “Há imagens de segurança do banco que mostram quando os dois entraram na agência e Liliam sacou o dinheiro que era proveniente do seu fundo de garantia, pois acabará de ser demitida do trabalho de cinco anos como enfermeira em uma área indígena”, contou o assistente de acusação Maurício Pereira.

Segundo a acusação, o mesmo circuito de segurança registrou que no dia seguinte ao desaparecimento o ex-marido voltou à agência bancária e sacou mais dinheiro da conta da vítima. Na ocasião, o acusado negou que havia sacado, mas depois mudou o depoimento após ser confrontado com as imagens.

Réu foi condenado mesmo sem o corpo da vítima

Réu foi condenado mesmo sem o corpo da vítima

A acusação ressaltou que o segundo saque demostrou que Kleber estava com os documentos de Lilian após seu desaparecimento. Além disso, há várias queixas de ameaça de Lilian contra Kleber, que também teria tentado matar o então namorado dela. “Outra prova incontestável é o fato de uma prima do acusado ter dito em depoimento que havia avistado a vítima no centro comercial, dez dias após o desaparecimento de Liliam, um álibi que também foi retirado dos altos do processo, pois o testemunho foi desmentido pela própria prima, que voltou atrás e anos depois negou que teria visto a vítima como havia relatado”, acrescentou Maurício Pereira.

Já o promotor de Justiça, Alaor Azambuja, comparou o caso ao da modelo Elisa Samúdio, processo em que os acusados foram condenados mesmo sem a localização do corpo da vítima, mas com base no conjunto de indícios.

A defesa rebateu essa comparação alegando que no caso de Elisa havia provas de que a modelo esteve na presença de seus agressores, diferentemente do caso de Liliam que só desapareceu depois de sair do banco. “Não há qualquer indicio ou vestígio de que o meu cliente está relacionado com o desaparecimento, não negamos que ele teve os seus atritos com a ex-mulher, nem nos desfazendo dos boletins de ocorrências feitos por Liliam contra o ex-marido, mas defendemos que não há qualquer indício de que ela esteja morta”, frisou o advogado Sandro Modesto.

A defesa foi mais além, argumentando que a vítima usou o dinheiro do fundo de garantia para fugir. Lilian ainda teria sido vista por duas pessoas em Manaus e numa cidade do Pará.

O julgamento deveria ter ocorrido no dia 26 de março, contudo, um problema de saúde do réu levou a suspensão do júri. Kleber já cumpre de 18 anos de prisão no Iapen por outro homicídio ocorrido em 2011.

O veredito de 23 anos e 6 meses de prisão saiu por volta das 21 horas. Kleber foi condenado por homicídio e ocultação de cadáver. Para a Justiça foi o fim, mas para a família ainda ficou a revolta e a certeza de que corpo de Lilian talvez nunca seja encontrado.

 

Compartilhamentos