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Maria Ester. Simples assim. Este é o nome da mulher que tem sido destaque nas rodas literárias e de declamações poéticas em saraus nas cidades do Amapá e até de outros estados.

Ester, que nunca havia publicado uma peça literária, pode ser considerada um fenômeno das letras Tucuju.

Mas esse sucesso não é despretensioso. Amapaense da gema, a escritora e poeta credita seu sucesso a uma inquietação que a acompanha desde sempre: a ausência de obras que contem, de maneira atrativa, os episódios que compõem a história do Amapá.

E foi o que fez ao escrever “As aventuras do Professor Pierre na Terra Tucuju”, obra selecionada no edital “Simãozinho Sonhador”, em 2013, para a qual a escritora se inspirou nos clássicos de Júlio Verne e Jô Soares, aquele pela cientificidade de seus livros, e este pela habilidade com que descreve personagens e cenários do passado.

A obra agradou logo de cara e se juntou ao panteão dos livros essenciais da literatura amapaense, ao lado de clássicos como Hélio Pennafort, Fernando Canto, Araci de Mont’alverne, entre outros, atraindo o interesse da academia pela forma original com que a autora revisita fatos decisivos para a história do Amapá.

Ganhando o mundo

Com os sentidos apurados para os novos talentos que surgem nas letras amapaenses, a jornalista e poeta Alcinéa Cavalcante, ela mesma símbolo da literatura contemporânea que se produz sob a linha do Equador, reconheceu em Maria Ester uma grande força criativa.

E foi através das mãos da jornalista que Ester recebeu o convite para fazer parte da Rede de Escritoras Brasileiras – REBRA, à qual ingressou levando debaixo do braço “Um Lobo Professor”, conto fantástico ambientado na região do Aporema, que narra a história de uma criança que aprende a ler com a ajuda de um lobo guará.

O conto compõe a coletânea “Assim Escrevem as Brasileiras”, que será lançada no Salón du Livre, em Paris, França, que este ano homenageia o Brasil.

Não é a primeira vez que uma autora amapaense viaja o mundo nas páginas de um livro editado pela REBRA (Alcinéa já participou de várias outras), mas é a primeira que a coletânea é traduzida para outro idioma. E nela vai o trabalho da sortuda estreante Maria Ester.

“É fantástico levar um pouco do Amapá para a França. É uma experiência única e uma alegria muito grande ser lida em outra língua em ainda mais num evento literário da importância do Salon du Livre.”  Declara a escritora que também participa da coletânea “Poesia na Boca do Rio”, organizada pelo poeta Mauro Guilherme, com lançamento previsto para dia 28, no Macapá Shopping, que reúne 16 poetas, entre eles Joãozinho Gomes, Manoel Bispo e Alcinéa Cavalcante.

Maria Ester é daquelas mulheres que surpreendem e cativam pela beleza e o talento. Com certeza um grande nome para estar na vitrine da literatura mundial.

* A expressão “très chic” pode ser traduzida como uma “uma mulher triplamente inquieta” ou “mulher elegante”

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