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Pacientes com câncer reclamam da falta de medicamentos no Serviço de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital das Clínicas Alberto Lima (HCAL). Existem pacientes que aguardam há três meses por medicação. A Secretaria de Estado da Saúde informou que muitos medicamentos demoraram para chegar ao Amapá devido a falta de matéria prima nos laboratórios. Em outros casos as empresas que ganharam licitação não entregaram os remédios. Elas serão punidas e novas compras estão em andamento.

“Nós estamos desesperados. O estado de saúde do meu marido está piorando e eu tenho que ficar de braços cruzados vendo ele morrer aos poucos. O remédio nunca chega e não querem transferir ele para outro estado porque o tratamento pode ser feito aqui”, declarou Josely Calazans de Brito, de 31 anos.

A Unidade Oncologia do HCAL não tem como oferecer alguns medicamentos

A Unidade Oncologia do HCAL não tem como oferecer alguns medicamentos

Ela é esposa de Wendel de Brito, de 34 anos, que foi diagnosticado com câncer há cinco meses. Atualmente ele se encontra internado na Unacom, mas sem receber a medicação adequada, já que a rede pública não tem. Josely já pediu ajuda do MPE e MPF, e não sabe mais a quem recorrer.

“Ele precisa de ifosfamida e dactinomicina. São remédios considerados “tarja preta” e nem são vendidos na rede privada. Cada dia ele está pior e eu não posso fazer nada”, desabafou ela. De acordo o presidente da Comissão Permanente de Licitação da Secretaria de Saúde, Franck Inajosa, esses medicamentos estão entre os que não foram entregues pela empresa que ganhou a licitação. Franck informou que a compra de medicamentos oncológicos é muito complicada. O medicamento Zoladex, por exemplo, é fabricado no Brasil por apenas um laboratório e isso dificulta a aquisição.

Segundo os pacientes, existem mais de 200 pessoas aguardando medicamentos para tratamento de câncer. A dona Duldivana Balieiro, de 36 anos, enfrenta um câncer no colo do reto. Ela está há três meses esperando medicação.

Paciente mostra as notas com gastos feitos com bolsas de colostomia

Paciente mostra as notas com gastos feitos com bolsas de colostomia

“Eu fui medicada dia 26 de março e aguardo remédio até hoje. A Sesa diz que vai liberar, mas nunca sai nada. Minha maior dificuldade é a evolução da doença. Eu ainda tenho uma bolsa de colostomia (é uma bolsa que fica presa ao estomago por onde são eliminadas as fezes e os gases), e já gastei mais de R$ 800 na compra porque o estado que deveria por lei me garantir, não compra”, declarou.

De acordo com Franck Inajosa, a Sesa fez o pedido de muitos medicamentos, mas alguns demoraram a chegar ao hospital e outros não foram entregues pelas empresas vencedoras das licitações que pediram desistência. Para resolver o problema, a Sesa está finalizando um pregão eletrônico para a compra dos medicamentos que estão em falta. Franck confirmou que todo o processo até chegada dos medicamentos deve durar em torno de 30 dias.

Essas e outras pessoas estão recebendo ajuda e orientação do professor Agenilson da Silva Pereira, 38 anos, pai do menino Carlos Daniel, de sete anos, que morreu no dia 21 de abril vítima de leucemia.

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