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Procurador de Justiça há 24 anos, Jaime Henrique Ferreira também é especialista na criação de gado geneticamente melhorado.  Ele foi um dos expositores na 51ª Expofeira do Amapá, realizada em novembro de 2015 no Parque de Exposições da Fazendinha.

Jaime Ferreira conta que optou pela pecuária como forma de fixar a família no Amapá e também como investimento. Na fazenda do procurador, o gado é criado em pastejo rotacionado, onde é usada uma variedade de capins que melhor se adaptaram ao clima do Estado.

A equipe de SelesNafes.Com encontrou o procurador na Expofeira, e gentilmente ele concedeu a seguinte entrevista. Confira.

O senhor sempre criou gado?

Nós começamos a trabalhar com pecuária há 12 anos na Colônia do Matapi, município de Porto Grande. Montamos uma pequena propriedade e fizemos a opção pela criação do gado Nelore PO, objetivando o melhoramento genético da raça. Sabemos que a criação de gado no Amapá é uma atividade nova, e que o melhoramento genético é de suma importância para a criação. Por isso, decidimos trazer touros de qualidade e trabalharmos com a inseminação artificial, que é um meio de reprodução mais moderno e nos permite produzir animais de qualidade.

Qual a sua formação profissional?

Sou procurador de Justiça do Ministério Publico do Amapá. Também investimos na pecuária como forma de nos fixarmos no Estado, acreditando no seu potencial de crescimento.

O procurador apostou na raça Nelore para reprodução no Amapá. Fotos: André Silva

O procurador apostou na raça Nelore para reprodução no Amapá. Fotos: André Silva

Com o senhor obteve conhecimento sobre a criação de gado?

Tudo começou com uma paixão pela raça nelore, de olhar e gostar. Depois fomos pesquisar sobre o assunto. É um trabalho empírico que começamos sem apoio nenhum. Aprendemos tudo por meio de pesquisa na internet, literatura e aperfeiçoando o conhecimento que já tínhamos. Depois disso, procuramos os órgãos responsáveis por esse seguimento no Estado, como Embrapa e Rurap, para aprendermos sobre as condições de pastagens para a região, mas também não achamos muito apoio. O que nos obrigou a estudar mais um pouquinho sobre a fisiologia dos capins adaptáveis à região amazônica. E conseguimos encontrar através de experimentos capins bem adaptáveis.

Então são vocês que produzem o capim que o gado se alimenta?

Sim. Nós usamos o sistema de pastejo rotacionado, com a área toda mecanizada e o capim plantado por nós, buscando encontrar aquela espécie que molhar se adapta à região.

O que é o gado PO?

É o gado Puro de Origem. É aquele gado que tem controle desde a monta que o touro faz na vaca até os três anos de idade quando o seu registro definitivo é tirado. Se a gente for comparar, um animal desses tem um controle mais efetivo que o ser humano. É que quando você vai fazer o cruzamento dos animais, tudo é programado pensando na genética por trás disso e o que você pretende do produto que vai nascer. Procurando com isso, sempre perseguir a mais alta qualidade do gado. Pai bom, mãe boa, filho melhor que os pais. Assim, ele se desenvolve mais rápido e mais rápido ele é colocado no mercado. O melhoramento genético sempre tem o objetivo de buscar o melhor animal, da melhor raça, nas melhores espécies.

Qualquer gado se adapta ao nosso Estado?

Deve-se estar muito atento na escolha do animal que se pretende trazer para o Estado. Nós temos um clima diferenciado que é bastante úmido e quente, e a raça Nelore foi a melhor que encontramos para se adaptar às condições de sobrevivência aqui no Estado, por se tratar de animal rústico, e que aguenta condições bastante inóspitas.

O senhor já comercializa os animais?

Nós já comercializamos há oito anos. A gente vem participar da Expofeira que é a nossa maior vitrine para mostrar o trabalho que temos no desenvolvimento genético. Nós estamos aqui na feira com a sétima geração de animais produzidos e criados aqui no Amapá.

O procurador Jaime Ferreira começou a criar gado para fixar a família no Amapá

O procurador e pecuarista Jaime Ferreira aposta no melhoramento genético

Quais seus principais clientes?

Temos como clientes principais os criadores do Amapá desde o Jari até Oiapoque. Já conseguimos colocar nossa genética com a finalidade do melhoramento do gado em vários plantéis de criadores do Estado. Infelizmente, pelas condições sanitárias do Amapá, que é área de auto risco de aftosa, nos impede de tirar esse animal daqui do Estado. Mas já temos alguns criadores do Pará interessados na nossa genética. No momento que conseguirmos ficar livres da aftosa, ou pelo menos livres com vacinação, com certeza teremos mercado no Pará e em outros estados também.

Esse gado serve somente para a criação ou o senhor os comercializa também para o abate?

Como são gados destinados ao melhoramento genético, são direcionados só para serem matrizes. Ou seja, servem apenas para reprodução. O criador que quiser ter um animal desses, pode ter um para fazer a monta na sua vaca e ter um bezerro melhorado. Segundo os produtores que já adquiriram touros nossos, o cruzamento melhora em torno de dez a quinze quilos de carne a mais no bezerro nascido, e na desmama em torno de 30 a 40 quilos a mais do que se ele usasse um touro da região.

O senhor tem conhecimento de quantas fazendas trabalham com esse tipo de criação no Estado?

Com o Nelore PO, até dois anos passados nós tínhamos sete criadores no Estado. Hoje, infelizmente, pelo mercado e pelas condições que cada um enfrenta, só eu comercializo esse tipo de gado no Estado.

O criador esta expondo seus gados na área da Mini Fazendo, próximo ao Pavilhão de Negócios da 51ª Expofeira do Amapá.

Foto da capa: Secom/Gea

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