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ANDRÉ SILVA

O número de medicamentos para tratamento do HIV diminuiu nos últimos anos. Os pacientes que eram obrigados a tomar mais de seis comprimidos por dia, além de anti-inflamatórios, hoje só precisam tomar três.

Esse novo tipo de tratamento já é uma realidade no sistema de saúde do estado. Atualmente, mais de 4 mil pessoas fazem o controle no Amapá.

A partir de 2015, o  Ministério da Saúde (MS) liberou o uso do esquema “3 em 1”, que seria um comprimido de Tenofovir de 300 mg, um de Lamivudina de 300 mg e um outro de Efavirenz de 600 mg.

“Os efeitos colaterais ainda perduram. Os pacientes ainda sentem muita tontura, sonolência, pesadelo. Então, ainda não é uma medicação muito fácil de ser tomada, mas alguns pacientes não sentem nada. A medicação não cura o paciente, mas diminui a quantidade de vírus na célula”, destaca a médica infectologista Natássia Rego, que atende no Serviço de Atendimento Especializado (SAE) em HIV/Aids no Amapá.

A médica garante que as pessoas com HIV podem viver mais.

Natassia Rego, infectologista do SAE:

Natássia Rego, infectologista do SAE: com diminuição do vírus nas células, medicação melhora qualidade e expectativa de vida dos pacientes. Foto: André Silva

Histórico

Em 1980, o HIV explodiu no Brasil como a doença do século. Ela surgiu com um estigma: o de que apenas homossexuais seriam os portadores da infecção. Milhares de pessoas morreram pelo mundo inteiro fazendo com que as autoridades mundiais se movessem com um único objetivo: descobrir uma cura para acabar com uma das piores doenças que já atingiu a humanidade.

Com estudos e pesquisas realizadas há décadas, chegou-se ao medicamento que poderia não curar, mas parar o processo de infestação do vírus no corpo da pessoa infectada.

A Zidovudina, ou AZT, surgiu como a solução para amenizar os efeitos do vírus sobre o organismo e garantir um período de sobrevida maior ao portador do HIV.

“O AZT parecia ser um medicamento que traria a solução, mas muitos pacientes acabavam tendo um efeito colateral com essa medicação. Em alguns casos, as doses usadas eram altas demais e alguns pacientes chegaram a morrer por conta disso. Depois dele, apareceram outros medicamentos só que com o inconveniente de um número maior de comprimidos ao dia”, explica Natássia Rego.

Dependendo do esquema adotado pelo médico, e para isso era levado em consideração a carga viral que o paciente tinha, os portadores teriam que tomar mais de 6 comprimidos por dia, além dos medicamentos profiláticos, que são aqueles que o paciente usa pra prevenir as infecções chamadas de ‘doenças oportunistas’.

O objetivo do tratamento passou a ser o da diminuição da carga viral com menos efeitos colaterais aos medicamentos e a diminuição no número de medicamentos tomados ao dia.

Por que é difícil matar o HIV?

Existem algumas partes do organismo humano em que os vírus não se expõe, esses lugares são chamados de santuários.

“São as células latentes. Quando o paciente toma o medicamento e a carga viral está suprimida essas células latentes não foram suprimidas pela medicação. O caminho da cura é a gente conseguir dar a cura ao paciente, suprimir a carga viral e tirar essas células escondidas nos santuários que estão no intestinos, ou no cérebro, para que elas possam ser atingidas pela medicação”, disse a médica.

Para fazer uma comparação com que a infectologista falou, o uso de medicamento é como varrer uma casa sem limpar em baixo dos móveis. Para matar o vírus, ele tem que aparecer.

Atualmente, o SUS oferece, gratuitamente, 22 medicamentos para os pacientes soropositivos. Desse total, 12 são produzidos no Brasil.

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