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SELES NAFES

Há muito tempo um evento não reunia tantos intelectuais do Amapá num só lugar. Uma pena ter sido no velório do professor Antônio Munhoz, que faleceu na tarde de segunda-feira (22), aos 85 anos, em decorrência de problemas renais. O velório está sendo realizado no plenário da Assembleia Legislativa (Alap).

Nos últimos quatro anos, Munhoz vinha dirigindo o departamento de Acervos e Bibliotecas da Confraria Tucuju. Todos os dias, impreterivelmente às 17h, ele estava na Confraria.

“A família do Munhoz é a cidade de Macapá toda. Ele não almoçava nenhum dia na casa dele. Sempre tinha um convite. Era sempre sorridente e adorava viajar. Eu sempre brincava que ele já tinha vivido duas vezes pela quantidade de viagens que fez”, lembrou a presidente da Confraria Tucujú, Telma Duarte.

Amigos prestam as últimas homenagens. Fotos: Seles Nafes

Velório reuniu dezenas de intelectuais

Além da contribuição para a literatura e a educação do Amapá, o professor Munhoz é lembrado como uma pessoa que influenciava outras a gostar de artes, uma espécie de sacerdócio que ele cumpriu incansavelmente durante várias gerações.

Além de leitor e escritor compulsivo, tinha um gigantesco conteúdo cultural, fruto de viagens que fazia pelo mundo.

Munhoz nunca se casou, nem teve filhos, mas pertencia a uma família numerosa que mora em Belém (PA). No total eram 11 irmãos. Agora, com a perda de Munhoz, ainda restam vivos 8.

Um deles, José Aires Lopes Filho, de 84 anos, está em Macapá para acompanhar o sepultamento e tomar as providências necessárias.

Telma Duarte, da Confraria Tucujú: Macapá era a família dele

Foi José Filho, que continua morando em Belém, quem convidou Munhoz para morar em Macapá.

“Nessa época eu servia no Tiro de Guerra, e tinha a possibilidade dele conseguir um emprego por aqui”, lembra o irmão. José Filho acredita que Munhoz contribuiu com o Amapá muito mais do ele próprio poderia sonhar em fazer. Assista

Em 1959, Munhoz se mudou para Macapá onde foi escalado para ser censor da ditadura e depois delegado de polícia. Apesar das duas atividades serem naturalmente ligadas à repressão, ele sempre foi conhecido pela forma amável, gentil e dedicada com que ensinava sobre cultura até para os acusados de crimes que eram presos em sua delegacia.

“Foi o policial que nunca pegou numa arma”, lembrou a amiga e jornalista Alcinéa Cavalcante.

O corpo do professor e escritor será sepultado na tarde desta terça-feira, no Cemitério Nossa Senhora da Conceição, onde ele já havia comprado um jazigo.

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