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OLHO DE BOTO

Os policiais militares que circulam nas madrugadas pela cidade de Macapá não encontram apenas criminosos e vítimas da violência pelo caminho. Eles testemunham cenas inusitadas, e histórias tristes envolvendo adolescentes e jovens que deveriam estar em casa com os pais e se dedicando aos estudos.

O tenente Lucivaldo Tiago de Souza, de 38 anos, 15 deles vividos na PM, é um desses policiais. Ele e os colegas do 1º BPM não se preocupam apenas em reprimir a criminalidade. Eles foram treinados para também aconselhar.

A equipe gravou em áudio uma conversa com uma adolescente de 17 anos, encontrada perambulando pela rua no Bairro dos Congós, na zona sul de Macapá, na última quarta-feira (5). Já passava da 1h30min.

Mãos da menina: “estou bem, não sei pros outros…”

Ela confessou aos policiais que estava indo a uma boca de fumo com o namorado da mesma idade. Eles já aparentavam estar sob efeito de drogas, mas queriam comprar crack.

Quando você começou a fumar?

Com 15 anos.

Quem introduziu você nesse meio? Seu namorado?

Não. Eu comecei, depois foi ele…

E os seus pais, moram onde?

Meu pai mora em Oiapoque, e minha mãe em Manaus (AM)

Eles sabem?

Não!

Se houver duas pedras num dia você fuma?

Não, só uma

Consegue dormir se fumar uma pedra?

Consigo

Você estuda?

Parei na 5ª série

O que você pensa sobre essa vida?

Vou mudar, tenho que mudar. Tenho muito caminho pela frente.

Você percebeu como está seu corpo? (unhas, pés…)

Pra mim eu estou bem, não sei pros outros…

Depois da conversa, a adolescente foi deixada pelos policiais na casa de tia, com quem ela mora no próprio Bairro dos Congós.

“O que a gente percebe é a desestruturação da família. Esses adolescentes têm pais separados, e ela está largada na vida. Menor quando se envolve com drogas precisa de muita ajuda para sair”, observa o tenente Lucivaldo Souza.  

Menor foi deixada na casa de uma tia: “tenho muito caminho pela frente”

O oficial disse que ficou surpreso quando percebeu que a menina não tinha noção da situação e de sua própria aparência.

“Ela disse que está na beira do poço, mas vimos que ela está no fundo do poço. (…) Nossos policiais estão capacitados para orientar nesse tipo de situação. A gente conversa, pergunta por que estão no mundo das drogas, e eles geralmente falam da família. Estão ao vento”, define.

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