Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)
Dos quatro policiais penais que se apresentaram ao delegado plantonista do Ciosp do Pacoval após a morte do subcomandante do 1º Batalhão da Polícia Militar do Amapá, major Anderson Fernandes, apenas um permanece sob custódia da Polícia Civil. Ele deverá passar por audiência de custódia, quando a Justiça decidirá se continuará preso ou responderá ao caso em liberdade.
O major foi morto a tiros por volta das 6h deste domingo (27), após uma confusão que começou dentro de um estabelecimento localizado na Avenida Padre Júlio, quase na esquina com a Manoel Eudóxio, no bairro Santa Rita, em Macapá, e terminou do lado de fora, com uma troca de tiros envolvendo o oficial, que estava de folga, e quatro policiais penais.
Os quatro agentes se apresentaram espontaneamente ao delegado plantonista do Ciosp do Pacoval: Wilson Pontes Neto dos Reis, Sérgio Ricardo da Silva Guerra, Uzias Palmerim de Santana Júnior e Márcio Douglas Morais Amanajás. Segundo o advogado Marcelino Freitas, que representa os policiais penais, três deles foram liberados após serem ouvidos pela Polícia Civil. O quarto permaneceu custodiado por ter sido apontado, nas imagens analisadas durante a investigação, como o último a efetuar disparos. No vídeo, de branco, Uzias aparecendo sacando a arma e atirando quando o major já estava caído no chão.

Confusão ocorreu em bar que estava funcionando às 6h da manhã. Fotos: Leonardo Melo/Portal SN
Segundo o advogado, a confusão teria começado dentro do estabelecimento, quando os envolvidos, que não se conheciam e não sabiam que eram policiais, teriam se envolvido em um empurra-empurra por causa de espaço no local. A discussão teria terminado naquele momento, mas, posteriormente, houve um novo confronto do lado de fora.
“De acordo com as investigações até agora conduzidas pelo delegado de polícia, pela análise de vídeos e depoimento das pessoas, tudo aconteceu lá dentro. Eram pessoas desconhecidas, ninguém conhecia ninguém, ninguém sabia que o outro era policial”, afirmou Marcelino.
Garrafada após bate-boca
Ainda segundo o advogado, imagens analisadas pela defesa e pelos investigadores mostram o momento em que o major teria arremessado uma garrafa contra os policiais penais e, em seguida, sacado uma arma.

Major morreu no local após troca de tiros com policiais penais

Advogado de defesa, Marcelino Freitas: policial que permanece preso teria atirado porque major continuou segurando a arma, mesmo ferido
“Nos vídeos, o policial militar, o major, que infelizmente veio a óbito, ele arremessa uma garrafa nos policiais penais e já saca uma arma de fogo. Isso daí é inconteste, está nos vídeos. Os policiais penais também sacam arma de fogo, todos estavam armados, e acontece uma troca de tiros”, declarou.
A dinâmica dos disparos, no entanto, ainda será investigada pela Polícia Civil e pela perícia. O advogado afirmou que o policial penal (Uzias Palmerim) que permaneceu preso foi o último a atirar e que, nas imagens analisadas, o major ainda estaria com a arma nas mãos mesmo depois de cair.
“Mesmo caído, a vítima empunhava a arma de fogo. E, pelo que nós vimos, o último a disparar teve uma visão mais ampliada e viu aquela arma de fogo na mão e efetivou o disparo”, disse.

Uzias Palmerim foi o último a atirar
Marcelino ressaltou, porém, que ainda não é possível afirmar se o tiro efetuado pelo policial penal foi o que matou o major. A audiência de custódia dele será realizada amanhã.
“Não sabemos ainda se foi o disparo fatal que ceifou a vítima do policial militar. Quem vai dizer isso é a perícia e a dinâmica dos fatos de acordo com a narrativa do delegado no inquérito policial”, afirmou.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. A perícia deverá apontar a origem e a trajetória dos disparos, além de contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos e identificar qual tiro provocou a morte do oficial. Parentes dele, emocionados, tentaram invadir a cena do crime e foram contidos por policiais.
