Morre Francisco Lino, o “Menestrel da Nação Negra” e fundador da Boêmios do Laguinho, aos 91 anos

Referência do samba e da cultura afro-amapaense, artista deixa legado marcado pela resistência e pela história do carnaval no estado
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Por RODRIGO ÍNDIO, de Macapá (AP)

A cultura popular e o samba amapaense estão em luto. Faleceu no último domingo (18), aos 91 anos, Francisco Lino da Silva, conhecido carinhosamente como Mestre Lino ou o “Menestrel da Nação Negra”.

Fundador da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, compositor de sambas-enredo históricos e guardião das tradições afro-amapaenses, Lino partiu deixando um legado que se confunde com a própria história do carnaval do estado.

Legado: Compositor marcou gerações e ajudou a construir a história do carnaval amapaense. Fotos: reprodução

Reconhecido nacionalmente com o prêmio “Bambas do Samba” no Grande Prêmio do Carnaval Brasileiro, Mestre Lino transcendeu as fronteiras do Amapá, tornando-se uma referência cultural e inspiração para diversas gerações de sambistas e brincantes.

Ele faleceu por complicações de saúde.

Homenagens e Repercussão
A notícia do falecimento causou comoção imediata entre amigos, comunidade do samba, lideranças e autoridades do estado, que prestaram suas homenagens ao mestre.

“Enquanto houver um folião na avenida, um brincante vestindo sua fantasia, um tambor ecoando no coração do Amapá e uma voz cantando a Boêmios do Laguinho, Francisco Lino continuará vivo. Hoje, o céu recebe um menestrel, mas a terra guarda para sempre sua memória”, destacou a publicação em homenagem de amigos e integrantes da Nação Negra.

Artista recebeu o prêmio Bambas do Samba, no Grande Prêmio do Carnaval Brasileiro

Composições históricas e poesia fizeram de Mestre Lino uma referência do samba

Trajetória do sambista se confunde com a história e a resistência da comunidade afro-amapaense

O governador do Amapá, Clécio Luís, lamentou a perda e destacou a relevância de sua trajetória para a identidade do povo amapaense.

“Falar do Lino é falar da história do Laguinho, da força da cultura negra, da poesia dos nossos sambas e da identidade de um povo que transformou sua história em música e resistência. O Amapá perde uma de suas vozes mais preciosas, mas seu legado continuará vivo em cada tambor que ecoar”, pontuou Clécio Luís, Governador do Amapá.

A presidente da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, Daiana Ronieli, ressaltou o privilégio de ter compartilhado vitórias ao lado de Mestre Lino — inclusive o título conquistado em 2026 — e reafirmou o compromisso de honrar sua memória nos próximos desfiles.

“Em 2027, teremos a difícil responsabilidade de levar à avenida não apenas um enredo, um samba ou um pavilhão, mas o seu legado. O senhor nos deixou prontos para essa missão. Alguns sambistas passam pela avenida; outros se tornam parte dela para sempre. E o senhor, Seu Lino, será eterno em cada carnaval da Boêmios do Laguinho”, publicou Daiana Ronieli, Presidente da Boêmios do Laguinho.

Boêmios do Laguinho: Presidente da escola promete levar o legado de Mestre Lino à avenida em 2027

A paixão pela Boêmios do Laguinho marcou sua trajetória e seguirá viva nas próximas gerações de sambistas


ÚLTIMAS HOMENAGENS E DESPEDIDA

A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho divulgou a programação oficial para as despedidas e homenagens ao querido Seu Lino nesta segunda-feira, 19:

06h00 — Velório: Funerária Plaste Vida (Av. Presidente Vargas, 1059 – Centro).

14h00 — ÚLTIMAS HOMENAGENS: Sede da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho.

16h30 — Sepultamento: Cemitério Nossa Senhora da Conceição.
(Nota: A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família).

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