Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
Uma área de floresta equivalente a aproximadamente 603 mil campos de futebol poderá se transformar em uma nova frente de negócios no Amapá, sem a necessidade de desmatamento integral para atividades agropecuárias. O governo estadual lançou nesta sexta-feira (16) um edital para conceder à iniciativa privada o manejo sustentável de 603 mil hectares da Floresta Estadual do Amapá (Flota). O projeto reúne projeções de aproximadamente R$ 1,4 bilhão em investimentos, pagamentos pela exploração florestal e compromissos socioambientais ao longo de três décadas.
“Essa concessão significa construção de futuro. É uma licitação onde as empresas irão poder fazer a extração vegetal e a industrialização da madeira do nosso estado. Com isso, são indústrias, empregos, desenvolvimento de um setor que é próprio do Amapá. Nós estamos construindo as bases para uma economia sustentável pelas próximas três décadas, que gera empregos, agrega valor e mantém floresta em pé e para sempre”, explicou o governador Clécio Luís (União).
O modelo prevê a divisão da área em dez unidades de manejo, distribuídas pelos municípios de Pedra Branca do Amapari, Porto Grande, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Pracuúba e Oiapoque. As empresas vencedoras poderão explorar madeira de forma planejada, respeitando os ciclos de regeneração da floresta, além de desenvolver atividades relacionadas a produtos não madeireiros, créditos de carbono e serviços ambientais. A proposta é estimular uma cadeia produtiva que envolve extração, transporte, beneficiamento e comercialização de produtos florestais.

Projetos semelhantes ao da TW Forest serão contemplados. Foto: Arquivo Portal SN

Investimentos nas 10 áreas poderá chegar a R$ 1,4 bilhão em seis municípios
Os contratos terão duração de 31 anos. Parte dos recursos deverá beneficiar comunidades e financiar ações de proteção ambiental e infraestrutura. A expectativa é que a ampliação das concessões fortaleça a indústria madeireira legal, um setor que ainda enfrenta desafios para crescer com regularidade e segurança jurídica no estado.
Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Extração e Desdobramento de Madeiras do Amapá (SindMadeiras/AP), Henrique Ulchak, mais de 5 mil famílias já dependem economicamente da atividade florestal. Para o setor empresarial, a oferta de áreas legalizadas pode garantir matéria-prima por períodos mais longos e estimular investimentos em unidades industriais.

Empresa gera centenas de empregos explorando de forma sustentável
O Amapá já possui experiência com esse modelo. A primeira concessão florestal do estado começou em 2016 e envolve 67 mil hectares explorados pela TW Forest, com arrecadação média anual de R$ 3 milhões e geração de 300 empregos diretos.
Estruturado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o projeto prevê fiscalização, licenciamento ambiental e monitoramento das atividades.
