Petrobras quer ampliar apoio em Belém para operações na costa do Amapá

Audiência na capital paraense reuniu representantes para discutir riscos na Bacia da Foz do Amazonas e no Marajó
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Por PEDRO PESSOA, de Belém (PA)

A exploração de petróleo na Margem Equatorial foi discutida nesta quinta-feira (15), durante uma audiência pública realizada em Belém, no Pará. O encontro colocou em pauta os possíveis impactos ambientais da atividade na costa amazônica, principalmente para as comunidades ribeirinhas e tradicionais que dependem diretamente dos rios e do mar para sobreviver.

A audiência ocorreu no auditório do Ministério Público Federal (MPF), no bairro do Umarizal, e foi organizada pela Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). O objetivo foi abrir espaço para discutir os riscos da exploração de petróleo e gás na Bacia da Foz do Amazonas e na Ilha do Marajó, região paraense que pode ser afetada pelas atividades desenvolvidas na costa do Amapá.

Entre as principais preocupações das comunidades estão as consequências de um eventual vazamento de petróleo, que poderia comprometer áreas de pesca, manguezais e outras fontes de sustento de milhares de famílias.

Para os moradores das regiões costeiras, o receio vai além dos danos ambientais. A possibilidade de um acidente também levanta dúvidas sobre a segurança alimentar, a economia das comunidades e a preservação de atividades tradicionais transmitidas de geração em geração.

Oiapoque, no extremo norte do Amapá, é usado como ponto de apoio aéreo às operações. Foto: Petrobras

Essas preocupações ganharam força depois do vazamento de fluido de perfuração registrado em janeiro deste ano no poço Morpho, localizado a aproximadamente 175 quilômetros da costa amapaense. Na ocasião, a Petrobras informou que o material era biodegradável e que não havia comprometimento da segurança do poço. Mesmo assim, o episódio provocou questionamentos de organizações indígenas e comunidades pesqueiras do Amapá e do Pará.

Petrobras aponta Belém como base estratégica

Enquanto comunidades tradicionais cobram garantias ambientais, a Petrobras avalia ampliar a estrutura de apoio às operações na Margem Equatorial.

Durante uma visita a Belém, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a capital paraense reúne melhores condições de infraestrutura para apoiar as atividades petrolíferas do que Oiapoque, município do extremo norte do Amapá.

A declaração chamou atenção porque Oiapoque está diretamente ligado às operações realizadas na costa amapaense e é utilizado como ponto de apoio aéreo.

Segundo Magda, Belém pode desempenhar um papel ainda mais importante caso as pesquisas confirmem a viabilidade comercial das reservas de petróleo identificadas na região.

Comunidades cobram garantias diante dos riscos de vazamento de petróleo

A executiva ressaltou que a companhia ainda precisa avançar nas perfurações antes de definir os próximos investimentos. A Petrobras já utiliza estruturas logísticas em Belém, mas não anunciou formalmente a transferência integral da base de Oiapoque para a capital paraense.

No início de outubro, a Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo no poço Morpho, em águas ultraprofundas da Bacia da Foz do Amazonas. A estatal considera os resultados promissores, mas ainda são necessárias outras perfurações para determinar se a produção poderá ser comercialmente viável.

A presidente da companhia também destacou a qualidade do óleo encontrado, embora os estudos sobre o potencial econômico da área ainda estejam em andamento.

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