Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
A seca está transformando numa paisagem árida o município de Pracuúba, a 276 quilômetros de Macapá. Conhecido pela abundância de rios e lagos e pela forte tradição pesqueira, a região foi atingida gravemente com a redução acentuada do nível das águas no período de estiagem. Alguns lagos estão praticamente secos, deixando peixes encurralados em trechos cobertos por lama. Moradores começaram a registrar a situação em vídeos.
Em uma das gravações, uma moradora mostra vários tamuatás presos em uma área onde praticamente não há mais água. A passagem por onde os peixes poderiam escapar já estaria bloqueada pela lama que também começa a secar.
“Daqui a mais uns dias eles vão morrer. Já tapou ali. Secou, já estão só na lama. Vão morrer todos esses tamuatás. Parece água, mas é só lama”, relata a mulher, enquanto registra a situação.
Outro morador registrou uma das margens do famoso Lago do Pracuúba, agora com o leito seco aparecendo e tomado de rachaduras.

Pracuúba normalmente é rica em lagos e peixes. Foto: Agência Amapá
A estiagem preocupa especialmente porque a pesca artesanal é uma das principais atividades econômicas de Pracuúba, município de pouco mais de 4 mil habitantes. Muitas famílias dependem diretamente da captura e comercialização de peixes para garantir o sustento. A redução dos ambientes aquáticos compromete a reprodução das espécies, dificulta a pesca e a afeta a oferta no mercado.
Conhecida como parte da Região dos Lagos do Amapá, Pracuúba possui ambientes aquáticos que abrigam espécies como tucunaré, traíra, apaiari, pirarucu e tamuatá. Durante a estiagem, a redução das áreas inundadas pode provocar o isolamento de peixes em poças e canais rasos. Embora o tamuatá seja uma espécie adaptada a ambientes com pouco oxigênio, a permanência em trechos praticamente sem água representa risco à sua sobrevivência.
