Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
As gigantes americanas ExxonMobil e Chevron iniciaram atividades exploratórias na costa do Amapá, ampliando a presença de empresas internacionais na busca por petróleo na Margem Equatorial. O movimento ocorre em meio às novas descobertas anunciadas pela Petrobras no poço Morpho, onde a estatal confirmou, nesta quinta-feira (29), a existência de um terceiro reservatório de petróleo no mesmo poço Morpho. As empresas americanas já contrataram levantamentos sísmicos para identificar áreas com potencial de exploração na região.
A ExxonMobil possui cinco concessões na Foz do Amazonas, enquanto a Chevron opera nove blocos exploratórios. As duas companhias contrataram serviços das empresas SLB e Shearwater para realizar pesquisas sísmicas, uma espécie de ultrassonografia do subsolo marinho que permite identificar estruturas geológicas onde pode haver petróleo. Os levantamentos representam uma etapa inicial da exploração e ajudam a definir os locais mais promissores para futuras perfurações.
O avanço das petroleiras ocorre após a Petrobras confirmar três descobertas no mesmo poço, localizado a cerca de 150 quilômetros da costa amapaense, em uma área com profundidade de água de 2.886 metros. Os reservatórios foram identificados em diferentes profundidades, com anúncios feitos em agosto e outubro. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que os resultados aumentam o otimismo da companhia em relação ao potencial da Margem Equatorial. Apesar das descobertas, ainda não foram divulgadas estimativas sobre o volume de petróleo disponível nem confirmada a viabilidade comercial da produção.

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Transferência da sonda
A Petrobras informou que concluiu a perfuração e a coleta de dados geológicos no poço Morpho. A sonda utilizada na operação será transferida para a Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. No entanto, a estatal pretende retornar à Foz do Amazonas para perfurar outros três poços, já autorizados pelo Ibama, com o objetivo de avaliar a extensão das reservas. A expectativa da indústria petrolífera é que a região apresente potencial semelhante ao da costa da Guiana, país que se tornou um importante produtor de petróleo nos últimos anos.
O interesse internacional também acompanha a expansão das áreas disponíveis para exploração. Neste mês, a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aprovou a delimitação de 501 novos blocos na Margem Equatorial, embora a oferta dessas áreas ainda dependa de estudos governamentais.
Para o Amapá, a movimentação das empresas representa a possibilidade de novos investimentos e oportunidades econômicas, especialmente em municípios como Oiapoque, que já funciona como base de apoio às operações da Petrobras.
