Por SELES NAFES, de Macapá (AP)
O vereador Daniel Theodoro (PSOL) foi afastado do mandato por determinação judicial, a pedido da Polícia Civil do Amapá, durante operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), em Macapá. De acordo com a Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), o parlamentar é suspeito de participar de um esquema para nomear indicados pela facção Família Terror do Amapá (FTA). A situação é semelhante ao que já havia ocorrido na gestão Furlan (PSD), quando 14 faccionados foram nomeados na prefeitura. Já a CMM aponta motivações políticas na operação de hoje.
Segundo o delefado Estéfano Santos, uma liderança feminina da facção que cumpre pena no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), seria responsável por mobilizar apoio comunitário e político. Em contrapartida, pessoas indicadas pelo grupo teriam acesso a empregos em empresas terceirizadas. O esquema também teria permitido a abertura de um canal informal entre representantes da facção e a direção de ressocialização do Iapen, resultando em benefícios como vagas de trabalho e remição de pena.
A Câmara divulgou uma nota apontando que o inquérito foi aberto no dia 10 de setembro, mesma data em que a Record nacional exibiu reportagem sobre a suposta ligação do ex-prefeito, e atual governador eleito, com o crime organizado.
“Mais questionável ainda é a deflagração da operação apenas dois dias após a eleição da Mesa Diretora, atingindo justamente um integrante da chapa vencedora. A sequência dos acontecimentos levanta dúvidas legítimas sobre a motivação e o momento escolhido para a ação, exigindo esclarecimentos que afastem qualquer suspeita de instrumentalização política da estrutura policial”, disse nota assinada pela gestão da Câmara.

Delegado Estéfano Santos está à frente das investigações. Presidente da Câmara diz que o caso seja transferido para outro delegado. Foto: Arquivo Portal SN

Vereador teria indicado membros da FTA para vagas de emprego. Foto: Arquivo/Portal SN
Para a mesa diretora, a Draco tentou amplificar um desgaste político ao mencionar diligências em gabinetes e dependências da Câmara de forma abrangente, “quando as buscas se concentraram em apenas duas salas. O presidente Pedro DaLua requererá o afastamento cautelar do delegado Estéfano Santos das investigações relacionadas ao caso e apresentará representação à Corregedoria da Polícia Civil. A utilização do aparato policial não pode servir a interesses políticos”, acrescentou.
Mandados
A operação começou por volta das 6h, com apoio do Gaeco (Ministério Público do Amapá). Foram cumpridos 9 mandados de busca em residências, em duas salas da Câmara de Macapá e dependências do Iapen. Além do vereador Daniel Theodoro, a Justiça determinou medidas cautelares contra um primeiro suplente de vereador, o diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Iapen e uma servidora da Ouvidoria da Câmara, suspeita de receber currículos de pessoas ligadas à facção e intermediar consultas médicas privilegiadas.
Com a decisão, Daniel Theodoro fica impedido de exercer o mandato e de acessar as dependências da Câmara, seus sistemas informatizados e repartições. Os demais investigados também receberam restrições e deverão comparecer à Justiça a cada dois meses.
