Sob gritos de “assassino”, Justiça mantém preso policial penal envolvido na morte de major da PM

Uzias Palmerim é apontado pela Polícia Civil como responsável pelo último disparo, enquanto perícia tenta esclarecer a sequência dos tiros
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Por LEONARDO MELO, de Macapá (AP)

Sob gritos de “assassino” feitos por familiares e colegas do major da Polícia Militar Anderson Leite Rodrigues Fernandes, de 38 anos, a Justiça decidiu manter preso preventivamente o policial penal Uzias Palmerim de Santana Júnior, de 34 anos, apontado pela Polícia Civil como o autor do último disparo efetuado contra o oficial.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (28), durante audiência de custódia realizada no Fórum de Macapá. Uzias havia sido preso em flagrante após se apresentar à Polícia Civil junto com outros três policiais penais envolvidos no confronto que terminou com a morte do major, na manhã de domingo (27), na Avenida Padre Júlio, em Macapá.

De acordo com as informações apresentadas na audiência, o Ministério Público pediu a conversão da prisão em preventiva diante da gravidade concreta do caso. Entre os argumentos apresentados estavam a suspeita de que o disparo tenha sido efetuado quando Anderson já estava caído, além do fato de o episódio envolver agentes públicos armados e ter ocorrido com Uzias portando uma pistola .40 pertencente ao Iapen.

Uzias Palmerim teve a prisão preventiva decretada após o Ministério Público apontar indícios de possível excesso na conduta. Foto: reprodução

A decisão judicial considerou haver, neste momento da investigação, indícios de possível excesso na conduta atribuída ao policial penal. A prisão preventiva, porém, não representa condenação e o caso ainda será investigado pela Polícia Civil.

A defesa de Uzias sustenta que o major teria iniciado a reação após arremessar uma garrafa contra os policiais penais e sacar uma arma. E que, mesmo depois de cair, o oficial continuava segurando a pistola, razão pela qual o último disparo teria sido feito para interromper uma suposta ameaça.

Familiares e colegas de Anderson Fernandes cobraram justiça em frente ao Fórum de Macapá durante a audiência. Fotos: Leonardo Melo/SelesNafes.com

A dinâmica exata do confronto, entretanto, ainda não foi totalmente esclarecida. A Polícia Civil e a Polícia Científica analisam imagens de câmeras de segurança, depoimentos, as quatro armas apreendidas, exames residuográficos, balística e a trajetória dos projéteis. Um dos principais pontos da investigação é identificar qual arma efetuou o disparo que provocou a morte do major.

Anderson morreu após uma confusão que começou dentro de um bar e terminou na área externa do estabelecimento. Imagens analisadas pelos investigadores mostram o oficial armado durante o confronto e, posteriormente, Uzias efetuando disparos quando o major já estava caído.

Outros três policiais penais foram liberados, mas seguem investigados e afastados das funções


Os outros três policiais penais que participaram da ocorrência, Wilson Pontes Neto dos Reis, Sérgio Ricardo da Silva Guerra e Márcio Douglas Morais Amanajás, foram liberados após prestarem depoimento. A Polícia Civil, contudo, informou que a liberação não significa que eles estejam fora da investigação. Os três continuam na condição de investigados, tiveram as armas apreendidas e foram afastados das funções enquanto o inquérito prossegue.

O major Anderson Fernandes era subcomandante do 1º Batalhão da PM e havia ingressado na corporação em 2011. Ele deixou cinco filhos. O sepultamento ocorreu nesta segunda-feira (28), no Cemitério São José, em Macapá, sob forte comoção de familiares e colegas de farda.

Seles Nafes
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